quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Quarto aniversário da ONG MEAM.
Genilson de Souza Cabral nº 006
Presidente da ONG MEAM.
sábado, 22 de agosto de 2009
Um mar de doenças
Pesquisas mostram que areias de praias cariocas estão infestadas de microrganismos nocivos à saúde. Há risco de infecções que podem afetar olhos, pele, ouvidos e intestinoA beleza das praias do Rio de Janeiro é um dos bens mais preciosos de um vasto patrimônio natural que inspirou relatos extasiados dos primeiros europeus que navegaram ao longo de sua orla e, também, algumas das canções mais conhecidas da música popular brasileira. Apesar disso, o litoral cheio de curvas e emoldurado por montanhas que faz do Rio uma paisagem metropolitana única no mundo tornou-se a síntese de alguns dos mais graves problemas da cidade. Manchas de poluição no mar, favelas de onde descem lixo e esgoto, sujeira e assaltos a banhistas são alguns dos sinais da degradação da orla que se pode enxergar a olho nu. É na areia, entretanto, que reside um grave problema de saúde pública, este só visível ao microscópio: as praias cariocas transformaram-se num imenso criadouro de microrganismos causadores de doenças que atacam intestino, pele, olhos e ouvidos. Pesquisa concluída no mês passado pelo microbiologista João Carlos Tórtora, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Gama Filho, mostrou o alto índice de parasitas intestinais, bactérias e fungos nas praias cariocas. Nas areias do Leblon, por exemplo, o nível de coliformes fecais (que indica contaminação por esgoto) era de 5 000 por 100 gramas de areia – o limite aceitável é de 400 coliformes por 100 gramas. Na Praia do Leme, a situação é ainda mais assustadora: 88 000 coliformes por 100 gramas de areia. "As pessoas só se preocupam com a qualidade da água nas praias. Mas, dependendo do lugar, elas podem correr mais risco na areia do que na água", diz a bióloga Adriana Sotero, do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Fiocruz. Diversos fatores contribuem para a poluição das areias. Há as línguas negras, rastros de sujeira observados na areia após chuvas torrenciais que carregam lixo e esgoto para o mar; o lixo deixado pelos frequentadores, que atrai animais transmissores de doenças, como ratos e pombos; e o péssimo hábito de banhistas de levar cachorros para a praia. Um monitoramento feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente mostra que em toda a orla da Zona Sul as areias estão infestadas de parasitas que causam verminoses, como bicho-geográfico, lombriga, solitária e oxiúro. Eles indicam a presença de fezes de animais (como cães e pombos) no ambiente. Atualmente, dos dezessete pontos de monitoramento no trecho de 27 quilômetros que vai do Leme à Barra da Tijuca, em apenas três locais analisados a secretaria não faz restrições ao uso da areia. Nos demais, recomenda-se uma série de precauções, como não sentar sem antes forrar o chão com esteiras ou cangas, andar de chinelo e evitar que crianças levem à boca a mão suja de areia.Para se desenvolver, os microrganismos que infestam as praias precisam de ambiente úmido, longe do sal e de altas temperaturas. A forma mais eficiente de combatê-los é revirar a areia. Com a aeração do ambiente e a exposição ao sol, os microrganismos não sobrevivem. Esse trabalho é feito diariamente nas praias do Rio, por meio de varrição das areias ou com a ajuda de máquinas específicas para esse tipo de limpeza. Mas, como persistem as línguas negras, o despejo de esgoto, os cachorros na praia e o lixo jogado no chão, a imundície continua ameaçando a saúde dos banhistas. Durante o verão, são recolhidas 2 600 toneladas de lixo por mês nas praias cariocas.Num cenário desses, não é de estranhar que o Brasil não tenha nenhuma representante entre as 3 200 praias mais bem-cuidadas do mundo. Elas fazem parte do programa Bandeira Azul, certificado de qualidade concedido anualmente por uma ONG que atua em mais de cinquenta países. A entidade analisa as condições dos balneários a partir de uma lista de 29 itens. Nas exigências quanto à saúde dos banhistas, as normas são mais rigorosas que no Brasil. Pela classificação da entidade, praias consideradas próprias para banho podem ter no máximo 100 unidades da bactéria causadora de diarreias (E. coli) a cada 100 mililitros de água. No Brasil, a tolerância a esse tipo de contaminação é oito vezes superior. Na lista das praias certificadas há países pobres ou em desenvolvimento, como República Dominicana, Marrocos, África do Sul e Tunísia. A África do Sul, por exemplo, investiu em melhorias de saneamento básico e realizou campanhas de conscientização ambiental em áreas costeiras para ter dezenove praias na lista das melhores do mundo. "Isso mostra que não é questão de ser desenvolvido ou ter muito dinheiro para melhorar as condições das praias", diz Marinez Scherer, coordenadora do Bandeira Azul no Brasil. Neste ano, cinco praias brasileiras tentarão obter o certificado da entidade. Nenhuma carioca.Fonte: Fabiano Barretto / Revista VEJA .
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terça-feira, 11 de agosto de 2009
São Fidélis não merece isso !
Estado inicia implantação de aterro sanitário no Noroeste
Por Ascom da Secretaria do ambiente
O Governo do Estado dá mais um passo significativo para a erradicação definitiva dos lixões no Rio. A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, assina, nesta terça-feira (11/8), às 14h, na Prefeitura de Itaocara, protocolo com prefeitos do Noroeste Fluminense para a implantação de aterro sanitário consorciado.Pela manhã, Marilene Ramos estará na cidade do Carmo, na Região Serrana, para formalizar a inclusão da cidade de Sumidouro no consórcio de municípios que utilizará o aterro sanitário de Teresópolis, inaugurado no mês passado pelo governador Sérgio Cabral.A implantação do aterro sanitário consorciado no Noroeste Fluminense, que beneficiará 110 mil pessoas, integra o Pacto pelo Saneamento, cuja meta é erradicar os lixões em todo o estado no prazo de 10 anos.Estarão presentes à solenidade de assinatura do protocolo, os prefeitos de Itaocara, Alcione Araujo; de Italva, Eliel Ribeiro; de Cardoso Moreira, Gilson Siqueira; de Cambuci, Oswaldo Botelho; de Aperibé, Flávio Gomes de Souza; e de São Fidélis, Luiz Feneme, entre outras autoridades.De acordo com a secretária, as obras estão previstas para começar no início de 2010 e o aterro ficará sediado em São Fidélis.-Este empreendimento será construído nos mesmos moldes do aterro sanitário de Teresópolis, com a canalização do chorume produzido pelo lixo até uma estação de tratamento, além de tratar o gás produzido pelos detritos.Além disso, será enviado para aprovação das Câmaras dos Vereadores de cada município envolvido, o protocolo da Lei dos Consórcios. O objetivo é consolidar os consórcios de forma que os próximos prefeitos não desfaçam essa importante parceria - declarou Marilene Ramos.A implantação do aterro sanitário consorciado é uma iniciativa do Governo do Estado, sob a coordenação da Secretaria Estadual do Ambiente, por meio do seu Programa Estadual de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (PEGIRS).Aterro sanitário de TeresópolisO governador Sérgio Cabral e a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, inauguraram, no mês passado, o primeiro aterro sanitário consorciado do estado, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, com capacidade para receber cerca de 30 toneladas por dia de lixo produzido por Teresópolis e mais 10 toneladas por dia de resíduos produzidos pelas cidades de São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro e Carmo.O aterro, para o qual foram investidos R$ 5 milhões do Fecam, foi instalado no terreno onde funcionou, por muitos anos, o antigo vazadouro de lixo da cidade, posteriormente transformado em aterro controlado. Agora, com as obras, o local passará a operar como o primeiro aterro sanitário consorciado do estado.ServiçoQuando: Terça-feira (11/8), às 10h, em Carmo; e, às 14h, em Itaocara.Onde: Prefeitura do Carmo, Praça Princesa Isabel, 91, Centro; e Prefeitura de Itaocara, Rua Nilo Peçanha, 498, Centro.
http://www.governo.rj.gov.br/noticia...ior.asp?N=6679
__________________A vida é um teatro...
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Rio Paraíba do Sul: um apelo
Qua, 05/Ago/2009 01:42 Hamilton Ribeiro Mota Coluna
Hamilton Ribeiro Mota - Prefeito de Jacareí - SP (PT)
A partir de um levantamento encomendado pelo Governo do Estado de São Paulo, passou-se a cogitar a transposição parcial das águas do rio Paraíba do Sul como alternativa para subsidiar o abastecimento de 180 municípios que compõem a "macrometrópole" de São Paulo, Campinas e Baixada Santista. O sistema de abastecimento da Grande São Paulo ganharia um incremento de 5.000 litros por segundo, sendo que a captação se daria no município de Jacareí, a partir da represa do Jaguari, integrante do sistema Cantareira. Tal alternativa exige avaliação e estudos aprofundados, mensurando quais os efetivos impactos e compensações socioeconômicas e ambientais que geraria aos municípios que compõem a Bacia do Paraíba do Sul. São 180 municípios entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.Além de ser a principal fonte de abastecimento de água (para a população, para a irrigação agrícola e para a indústria), o rio Paraíba do Sul é, ainda e a despeito das violências por que passa, bacia de pesca e de lazer. E um importante fator de identidade e integração de um contingente considerável: em toda a bacia, vivem mais de 14,2 milhões de habitantes.Mais: o rio Paraíba do Sul foi e é, historicamente, protagonista privilegiado do desenvolvimento econômico da região que, hoje, se tornou a mais urbanizada do país. Todos os ciclos econômicos tiveram o Vale do Paraíba como cenário. Como primeiro grande núcleo urbano banhado pelo rio Paraíba, o município de Jacareí vê com preocupação a hipótese de transposição parcial, exatamente pelas consequências que afetariam toda a bacia. A adoção de políticas centradas na recuperação e manutenção dos recursos naturais, bem como em conceitos de sustentabilidade, já é fato em Jacareí. Naturalmente, o rio Paraíba do Sul é um dos focos principais. Registre-se que Jacareí foi a primeira cidade do país a construir uma ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), com recursos gerados pela cobrança pelo uso da água do rio Paraíba. A obra, uma parceria público-privada, iniciou uma série de ações que permitiram a ampliação do índice de tratamento de esgoto doméstico de 2% para 20% na cidade – outras duas ETEs foram construídas desde 2005. Em se considerando que o esgoto doméstico é a principal fonte de poluição do rio Paraíba, é fundamental que centremos esforços e investimentos para minimizar esses efeitos.Com população de 210 mil habitantes, Jacareí iniciou, este ano, a maior obra de saneamento de sua história: a despoluição do Córrego do Turi, principal afluente do rio Paraíba na cidade. Em dois anos, elevaremos o índice de tratamento de esgoto na cidade para 70%, reduzindo significativamente o despejo de esgoto in natura no rio. Nossa contribuição para com o rio Paraíba conta com investimento total da ordem de R$ 90 milhões, incluindo recursos do PAC.Jacareí, assim como outras cidades, depende de ações conjuntas e de políticas de longo prazo. Tudo isso, incluindo as discussões sobre a transposição parcial do rio Paraíba, já integram a pauta de discussões do Ceivap (Comitê para Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul). Mas exigimos a participação e o envolvimento fundamentais do Governo Estadual para definir conjuntamente programas de despoluição da bacia, projetos de recuperação e compensação ambientais, planos de manejo que envolvam áreas produtivas e de preservação, e programas de educação ambiental.Nascido da confluência dos rios Paraibuna, com nascente em Cunha, e Paraitinga, que nasce em Areias, o rio Paraíba do Sul segue em direção à região metropolitana da capital, mas faz uma curva de 180º e corta todo o Vale formado pelas serras do Mar e da Mantiqueira. Após 1.120 km, chega a São João da Barra, no Norte fluminense, para desaguar na praia de Atafona. Nesse percurso, forma uma bacia que mantém vivos remanescentes de Mata Atlântica em unidades de conservação (algumas de destaque internacional, como o Parque Nacional de Itatiaia, o primeiro criado no Brasil).Ainda que revestido de toda essa importância, o rio Paraíba do Sul continua a ser visto sob uma ótica puramente exploratória. Há que se estudar alternativas para o abastecimento da Grande São Paulo, mas é preciso preservar e recuperar o rio Paraíba. E não torná-lo, mais uma vez, vítima de políticas sem planejamento, míopes e imediatistas..
Morte do Rio Paraíba do Sul, Infelizmente existemais
agosto 05, 2009
Infelizmente existemais uma vez a possibilidade de agressão ao nosso Rio Paraíba, se isso acontecer iremos acabar de vez com o Paraíba. Todos os municípios da Bacia devem se mobilizar para que isso não aconteça. Acredito que os que estão propondo esta solução deveriam conhecer antes toda a Bacia do Paraíba para saber da realidade em que vivem os municípios que se encontram abaixo da transposição criminosa que foi feita em Barra do Piraí desviando água para o Grande Rio. A transposição do São Francisco é "fichinha" perto do que hoje existe aqui em nossa região. Baião - Além Paraíba/MG>
Neidson Barros Gonçalves 200.97.158.112
Legal, , vamos incluir na discussão a transposição do
agosto 05, 2009
vamos incluir na discussão a transposição do São Francisco, sob a mesma ótica utilizada na matéria do Senhor Hamilton, Prefeito de Jacareí/SP do PT.
nivaldo 200.228.16.2
Fonte:http://www.portaldomeioambiente.org.br/pma/index.php?option=com_content&view=article&id=1191
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
O que não lhe presta, serve para alguém.
ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL – MEIO AMBIENTE
ONG - MEAM
FUNDAÇÃO EM 14 DE NOVEMBRO DE 2005
SOB CNPJ Nº 07.693.051/0001-95
AVENIDA 7 DE SETEMBRO Nº 156, CENTRO , SÃO FIDÉLIS, RJ.
UTILIDADE PÚBLICA MUNICIPAL Nº 1.092/06
UTILIDADE PÚBLICA ESTADUAL Nº 5.475/2009
Ongmeam.blogspot.com
CAMPANHA DA ONG MEAM.
O que não lhe presta, serve para alguém.
Faça a sua entrega, de roupas usadas, brinquedos, remédios, calçados e alimentos não pereciveis, em uma das Delegacias da ONG MEAM, no Centro de Educação Ambiental, Cultural, Artístico, Social, Turístico e Esportivo da MEAM, localizado na Rua Cicinio Faria nº 356, Bairro São Vicente de Paulo, Municipio de São Fidélis-RJ.
Mantido pelos parceiros:
Bigode Veículos; Denisa Móveis; Global Serviços Técnicos; OPSOM; Igreja Segunda Chance; Associção Comercial e Agricola de São Fidélis.
Genilson de Souza Cabral nº 006
Presidente da ONG MEAM.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Secretário do Meio Ambiente do Estado sobrevoa o Butiazal de Tapes
5/5/2009Na última semana do mês de abril ocorreu uma visita ilustre ao Butiazal de Tapes, quando o Secretário de Estado do Meio Ambiente e Presidente eleito do CONSEMA, Berfran Rosado, sobrevoou a área que é coberta de Butiazeiros (Butiá capitata), pousando em algum ponto da região para registrar sua visita em companhia do Diretor do DEFAP (Departamento de Florestas e Áreas Protegidas), Rafael Ferreira, e cumprir com a palavra empenhada ao Movimento Os Verdes de Tapes, quando na reunião de aproximação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) com o Movimento Ecológico Gaúcho (MEG) em março, o Ambientalista Júlio Wandam o convidou para conhecer um ambiente riquíssimo e de importância ecológica impar em nosso Estado.
Vários estudos apontam para a necessidade de proteção e possível criação de uma Unidade de Conservação, devido a raridade do ambiente, a paisagem única, e os ecossistemas interligados que proporcionam abrigo e alimentação a inúmeras espécies animais e vegetais, algumas consideradas em vias de extinção ou extintas no meio ambiente.
A região é composta de diversos ecossistemas e durante mais de meio século é impactada por lavouras de arroz, criação de gado, lixão municipal e atualmente com riscos de ampliarem-se os espaços de plantios de eucaliptos, o que poderá acarretar enormes prejuízos a natureza abundante deste local na zona costeira interna da laguna dos Patos.
Desde 2005, Os Verdes de Tapes vêm empreendendo ações para divulgar a região em diversos encontros ambientalistas, onde obtêm apoios significativos, inclusive tendo sido tema aprovado em duas Conferências Nacionais de Meio Ambiente, em 2005 e 2008, quando se pediu a proteção integral deste ambiente entre as cidades de Tapes e Barra do Ribeiro.
A atitude do Secretário Berfran pode ser o início para um trabalho de sensibilização do gestor ambiental do Estado, para que observe as intenções de proteção a ambientes naturais realizadas por outras entidades, e que é idêntica à necessidade de visitação e tomada de decisão a favor da vida das espécies que se encontram ameaçadas no RS, a exemplo de Pai Querê e outras tantas regiões.Fonte: Os Verdes de Tapes/RS Imagens: Comunicação/SEMA
Tema relacionado:
Butiazal de TapesPai Querê
http://osverdestapes.googlepages.com/osverdestapes@gmail.comMovimento Ambiental Os Verdes Tapes/RS
quinta-feira, 30 de abril de 2009
A gripe suína e o monstruoso poder da indústria pecuária
30/4/2009Em 1965, havia nos EUA 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos debilitados. Cientistas advertem sobre o perigo das granjas industriais: a contínua circulação de vírus nestes ambientes aumenta as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos. A análise é de Mike Davis.
Mike Davis
A gripe suína mexicana, uma quimera genética provavelmente concebido na lama fecal de um criadouro industrial, ameaça subitamente o mundo inteiro com uma febre. Os brotos na América do Norte revelam uma infecção que está viajando já em maior velocidade do que aquela que viajou a última cepa pandêmica oficial, a gripe de Hong Kong, em 1968.
Roubando o protagonismo de nosso último assassino oficial, o vírus H5N1, este vírus suíno representa uma ameaça de magnitude desconhecida. Parece menos letal que o SARS (Síndrome Respiratória Aguda, na sigla em inglês) em 2003, mas como gripe, poderia resultar mais duradoura que a SARS. Dado que as domesticadas gripes estacionais de tipo “A” matam nada menos do que um milhão de pessoas ao ano, mesmo um modesto incremento de virulência, poderia produzir uma carnificina equivalente a uma guerra importante.
Uma de suas primeiras vítimas foi a fé consoladora, predicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na possibilidade de conter as pandemias com respostas imediatas das burocracias sanitárias e independentemente da qualidade da saúde pública local. Desde as primeiras mortes causadas pelo H5N1 em 1997, em Hong Kong, a OMS, com o apoio da maioria das administrações nacionais de saúde, promoveu uma estratégia centrada na identificação e isolamento de uma cepa pandêmica em seu raio local de eclosão, seguida de uma massiva administração de antivirais e, se disponíveis, vacinas para a população.
Uma legião de céticos criticou esse enfoque de contrainsurgência viral, assinalando que os micróbios podem agora voar ao redor do mundo – quase literalmente no caso da gripe aviária – muito mais rapidamente do que a OMS ou os funcionários locais podem reagir ao foco inicial. Esses especialistas observaram também o caráter primitivo, e às vezes inexistente, da vigilância da interface entre as enfermidades humanas e as animais. Mas o mito de uma intervenção audaciosa, preventiva (e barata) contra a gripe aviária resultou valiosíssimo para a causa dos países ricos que, como os Estados Unidos e a Inglaterra, preferem investir em suas próprias linhas Maginot biológicas, ao invés de incrementar drasticamente a ajuda às frentes epidêmicas avançadas de ultra mar. Tampouco teve preço esse mito para as grandes transnacionais farmacêuticas, envolvidas em uma guerra sem quartel com as exigências dos países em desenvolvimento empenhados em exigir a produção pública de antivirais genéricos fundamentais como o Tamiflu, patenteado pela Roche.
A versão da OMS e dos centros de controle de enfermidades, que já trabalha com a hipótese de uma pandemia, sem maior necessidade novos investimentos massivos em vigilância sanitária, infraestrutura científica e reguladora, saúde pública básica e acesso global a medicamentos vitais, será agora decisivamente posta a prova pela gripe suída e talvez averigüemos que pertence à mesma categoria de gestão de risco que os títulos e obrigações de Madoff. Não é tão difícil que fracasse o sistema de alertas levando em conta que ele simplesmente não existe. Nem sequer na América do Norte e na União Européia.
Não chega a ser surpreendente que o México careça tanto de capacidade como de vontade política para administrar enfermidades avícolas ou pecuárias, pois a situação só é um pouco melhor ao norte da fronteira, onde a vigilância se desfaz em um infeliz mosaico de jurisdições estatais e as grandes empresas pecuárias enfrentam as regras sanitárias com o mesmo desprezo com que tratam aos trabalhadores e aos animais.
Analogamente, uma década inteira de advertências dos cientistas fracassou em garantir transferências de sofisticadas tecnologias virais experimentais aos países situados nas rotas pandêmicas mais prováveis. O México conta com especialistas sanitários de reputação mundial, mas tem que enviar as amostras a um laboratório de Winnipeg para decifrar o genoma do vírus. Assim se perdeu toda uma semana.
Mas ninguém ficou menos alerta que as autoridades de controle de enfermidades em Atlanta. Segundo o Washington Post, o CDC (Centro de Controle de Doenças) só percebeu o problema seis dias depois de o México ter começado a impor medidas de urgência. Não há desculpas para justificar esse atraso. O paradoxal desta gripe suína é que, mesmo que totalmente inesperada, tenha sido prognosticada com grande precisão. Há seis anos, a revista Science publicou um artigo importante mostrando que “após anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte tinha dado um salto evolutivo vertiginoso”.
Desde sua identificação durante a Grande Depressão, o vírus H1N1 da gripe suína só havia experimentado uma ligeira mudança de seu genoma original. Em 1998, uma variedade muito patógena começou a dizimar porcas em uma granja da Carolina do Norte, e começaram a surgir novas e mais virulentas versões ano após ano, incluindo uma variante do H1N1 que continha os genes do H3N2 (causador da outra gripe de tipo A com capacidade de contágio entre humanos).
Os cientistas entrevistados pela Science mostravam-se preocupados com a possibilidade de que um desses híbridos pudesse se transformar em um vírus de gripe humana – acredita-se que as pandemias de 1957 e de 1968 foram causadas por uma mistura de genes aviários e humanos forjada no interior de organismos de porcos – e defendiam a criação urgente de um sistema oficial de vigilância para a gripe suína: advertência, cabe dizer, que encontrou ouvidos surdos em Washington, que achava mais importante então despejar bilhões de dólares no sumidouro das fantasias bioterroristas.
O que provocou tal aceleração na evolução da gripe suína: Há muito que os estudiosos dos vírus estão convencidos que o sistema de agricultura intensiva da China meridional é o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico intercâmbio genômico. Mas a industrialização empresarial da produção pecuária rompeu o monopólio natural da China na evolução da gripe. O setor pecuário transformou-se nas últimas décadas em algo que se parece mais com a indústria petroquímica do que com a feliz granja familiar pintada nos livros escolares.
Em 1965, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos muito debilitados.
No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um informe sobre a “produção animal em granjas industriais”, onde se destacava o agudo perigo de que “a contínua circulação de vírus (...) característica de enormes aviários ou rebanhos aumentasse as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”. A comissão alertou também que o uso promíscuo de antibióticos nas criações de suínos – mais barato que em ambientes humanos – estava propiciando o surgimento de infecções de estafilococos resistentes, enquanto que os resíduos dessas criações geravam cepas de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou um bilhão de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).
Qualquer melhora na ecologia deste novo agente patógeno teria que enfrentar-se com o monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e pecuários, como Smithfield Farms (suíno e gado) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática de suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas algumas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento de pesquisadores que cooperaram com a investigação.
Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como a gigante avícola Charoen Pokphand, sediada em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre seu papel na propagação da gripe aviária no sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do vírus da gripe suína bata de frente contra a pétrea muralha da indústria do porco.
Isso não quer dizer que nunca será encontrada uma acusadora pistola fumegante: já corre o rumor na imprensa mexicana de um epicentro da gripe situado em torno de uma gigantesca filial da Smithfield no estado de Vera Cruz. Mas o mais importante – sobretudo pela persistente ameaça do vírus H5N1 – é a floresta, não as árvores: a fracassada estratégia antipandêmica da OMS, a progressiva deterioração da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industrializada e ecologicamente bagunçada.
Mike Davis é professor no departamento de História da Universidade da Califórnia (UCI), em Irvine, e um especialista nas relações entre urbanismo e meio ambiente. Ex-caminhoneiro, ex-açogueiro e ex-militante estudantil, Davis é colaborador das revistas New Left Review e The Nation, e autor de vários livros, entre eles Ecologia do Medo, Holocaustos coloniais, O monstro bate a nossa porta (editora Record), e Cidade de quartzo: escavando o futuro em Los Angeles (Boitempo) Também é membro do Conselho Editorial de Sin Permiso.
Artigo publicado originalmente no The Guardian (27/04/2009). Publicado também, em espanhol, no Sin Permiso.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Agência Carta Maior.